Falamos mal a língua portuguesa e o Governo quer introduzir a língua chinesa no ensino secundário

A recente decisão do Ministério da Educação e Cultura de Moçambique de incluir o ensino da língua mandarim no currículo das escolas secundárias tem gerado intenso debate na sociedade moçambicana. O tema foi discutido no programa “Plantão Informativo”, da TV Sucesso, moderado pelo jornalista Hermínio José. Entre os convidados estavam Marisa e outras duas participantes, que expressaram opiniões divergentes sobre a medida.
Durante o debate, Marisa levantou questionamentos sobre a necessidade da introdução do mandarim no sistema de ensino moçambicano. Para ela, antes de se investir em uma nova língua, seria essencial aprimorar o ensino das que já fazem parte do currículo, como o português, inglês e francês. “Temos dificuldades até em dominar o português, que é a língua oficial. Vemos nossos governantes cometerem erros graves ao falar. Como poderemos adicionar mais uma língua se não dominamos as que já temos?”, questionou.
Além disso, Marisa fez uma análise crítica sobre o impacto econômico e político dessa medida. Segundo ela, a introdução do mandarim pode ser um reflexo do crescente domínio econômico chinês sobre Moçambique. “Quando é você quem coloca a comida na mesa, você é quem dita as regras. A China tem investido fortemente em Moçambique e agora nos impõe sua língua. Isso mostra quem realmente tem o controle”, afirmou.
Além disso, ela levantou dúvidas sobre a real necessidade de incluir o mandarim no currículo. Especialistas em economia apontam que qualquer investimento educacional deve atender às prioridades nacionais. “Antes de introduzir o mandarim, deveríamos garantir que livros e materiais didáticos cheguem a todas as escolas. Qual é o verdadeiro objetivo por trás dessa decisão?”, indagou a convidada.
Interesses em Jogo
A discussão também abordou a possibilidade de que decisões como essa sejam motivadas por interesses políticos e econômicos, mais do que por um real benefício para os estudantes moçambicanos. “Temos governantes que vivem de acordos e concessões. Qualquer financiamento externo parece suficiente para alterar nossas políticas públicas, sem considerar o impacto real sobre a população”, criticou Marisa.
A introdução do mandarim no currículo escolar segue sendo um tema controverso em Moçambique. Enquanto alguns veem a medida como uma oportunidade para fortalecer laços com a China e abrir novas portas no mercado global, outros criticam a priorização do mandarim em detrimento de problemas estruturais do sistema educacional. O debate está longe de um consenso e promete continuar movimentando opiniões.