Venâncio Mondlane anuncia cessar da violência após encontro com Daniel Chapode Moçambique

O ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane anunciou um acordo com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, para pôr fim à violência no país a partir desta terça-feira. O entendimento inclui a garantia de assistência médica gratuita aos feridos durante os protestos pós-eleitorais, além do compromisso de ambos os lados em evitar novos confrontos.
Em transmissão ao vivo em sua página oficial no Facebook, Mondlane afirmou que o chefe de Estado assumiu a responsabilidade de conter a repressão por parte das forças de segurança.
“Daniel Chapo comprometeu-se perante o Estado moçambicano a garantir que a violência proveniente da polícia, da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e do Serviço de Investigação Criminal (Sernic) seja estancada”, declarou.
O político também se comprometeu a pedir o fim dos ataques contra agentes da UIR, membros da Frelimo e outros grupos contrários ao seu movimento.
Encontro busca estabilidade e reconciliação
O Presidente moçambicano, que também lidera a Frelimo, reuniu-se no domingo com Mondlane para “discutir soluções face aos desafios que o país enfrenta”, conforme comunicado divulgado pela Presidência na madrugada desta terça-feira.
O encontro, o primeiro entre os dois desde o início dos protestos pós-eleitorais, ocorreu em Maputo e insere-se no “esforço contínuo de promover a estabilidade nacional e reforçar o compromisso com a reconciliação e a unidade dos moçambicanos”.
“Há um compromisso assumido para não se assassinar moçambicanos. Sejam da trincheira A ou da trincheira B, assumimos o compromisso de acabar com a violência. Vamos assumir que hoje a violência cessa entre ambas as partes”, afirmou Mondlane.
Assistência médica e indultos para detidos
Entre os consensos alcançados está a garantia de tratamento médico gratuito para todos os feridos nos protestos, incluindo policiais e membros da Frelimo, principalmente vítimas de tiros.
Mondlane também destacou a necessidade de compensar as famílias das vítimas fatais e oferecer apoio psicológico. “Pessoas que foram mortas, foram assassinadas, têm famílias. É preciso dar assistência social e compensação”, disse.
Outro ponto acordado foi a concessão de indultos a detidos no contexto dos protestos. *”Isto é o que o povo quer ou não quer? Isto é contra Moçambique? Isto é bom para o povo ou não?”*, questionou, anunciando a criação de equipes para formalizar os termos do acordo.
Contexto de tensão pós-eleitoral
Moçambique enfrenta uma onda de protestos desde outubro, quando Venâncio Mondlane rejeitou os resultados das eleições gerais, que deram vitória a Daniel Chapo.
Embora os atos tenham diminuído em escala, manifestações pontuais continuam em várias regiões, com a população a reclamar não apenas da contestação eleitoral, mas também do aumento do custo de vida e de problemas sociais.
O acordo entre Mondlane e Chapo surge como uma tentativa de acalmar os ânimos e abrir caminho para o diálogo.