Ndunda-2: Um bairro mergulhado em carências

O RECURSO aos poços tradicionais para suprir a falta de água da rede pública em muitos pontos da cidade da Beira está a resultar em vários transtornos à vida das comunidades, que têm registado tragédias, por exemplo, no bairro de expansão de Ndunda-2. Naquela área residencial, segundo apurámos, pelo menos cinco pessoas, entre elas crianças, morreram afogadas naquelas fontes à busca do recurso.

A Reportagem do “Notícias” trabalhou há dias naquela zona residencial, onde conversou com alguns moradores, que lamentam os contornos da situação. Os nossos entrevistados contaram ainda que as mortes se devem ao facto de poucas casas estarem ligadas ao sistema de abastecimento de água, tendo os moradores sido forçados a recorrer à abertura de poços tradicionais.

Inês Pedro, residente naquele bairro, começou por contar que o caso mais recente aconteceu no início do mês, quando uma criança, no meio da brincadeira, na companhia de outras, acabou caindo num poço perto da sua residência.

“Se o sistema de água abrangesse toda a população desta zona acredito que as mortes por causas como esta poderiam reduzir ou mesmo acabar, porque iríamos fechar os poços”, defendeu.

Recordou, no entanto, que as autoridades reuniram-se recentemente com os moradores possuidores de poços aconselhando-os a tapá-los ou a arranjarem alguma forma de impedir o acesso a menores.

Inês Pedro queixou-se, por outro lado, de a população de Ndunda-2 ter de percorrer longas distâncias para adquirir alguma quantidade de água potável para as suas necessidades quotidianas.

Outra moradora que aceitou falar à nossa Reportagem é Maria Luís, que lamentou a existência de apenas um fontanário para abastecer a todas as famílias, incapaz de satisfazer as necessidades de todos.

“Por isso acabamos por abrir poços para tentarmos minimizar o nosso sofrimento. Temos visto o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) a trabalhar, talvez isso vai mudar alguma coisa nos próximos tempos”, perspectivou.

Enquanto tal não acontece, Maria Luís queixa-se de as famílias estarem a consumir água não segura, o que representa um perigo para a saúde. Recorda que por causa disso já foram reportados casos de diarreias na zona.

Fonte: RM